COBRAS – UM PERIGO NAS PESCARIAS

Nosso país não é apenas rico na variedade de espécies de peixes que podem ser capturados pelo pescador esportivo, mas também numa variada gama de aves e outros animais. Como na pesca, a relação do homem com a natureza é muito estreita, é natural que ele acabe entrando em contato com outras espécies de animais, dentre elas as cobras. Calcula-se que existam no Brasil 250 espécies de cobras, dentre elas umas 70 delas venenosas. Sendo assim, o pescador deve ter algumas noções de como evitar esses animais, identificar as espécies venenosas e não venenosas e como proceder no caso de algum acidente.

As cobras vivem em lugares de mata espessa, plantações, rios, lagoas, cachoeiras, pedras, e entre diversos tipos de vegetações. Cupinzeiros e buracos na terra ou em barrancos de rios são ótimos esconderijos para elas. Por isso, para andar na mata deve-se usar botas de couro com cano alto, pois elas evitam até 80% dos casos de picadas, pois as cobras geralmente picam do joelho para baixo. Também não devemos colocar as mãos em buracos no solo, touceiras de capim ou galhadas na beirado do rio, cupinzeiros abandonados e ocos de árvores ou troncos. Estudos indicam que cerca de 15% dos ferimentos causados por cobras, ocorrem nas mãos e no antebraço. Se necessário, deve-se utilizar um pedaço de pau para remexer nesses lugares a fim de se certificar que não existem cobras.

Existem algumas características que diferenciam uma cobra venenosa de outra não venenosa. As venenosas têm a cabeça mais ou menos triangular, coberta por escamas pequenas, dentes com canais inoculadores de veneno (lembrando um agulha de injeção) e dois buracos ao lado das narinas, chamados de fossetas. O corpo apresenta escamas pequenas e justapostas, como as telhas de um telhado ou as escamas de um peixe, e tem a cauda curta, bruscamente afinada. Possuem hábitos noturnos, são lentas e quando atacadas enrolam-se, preparando o bote. Já as não venenosas têm a cabeça mais ou menos ovalada, coberta por escamas grandes e lisas, não possuem dentes inoculadores de veneno, nem as fossetas ao lado das narinas. O corpo tem escamas grandes lisas e justapostas, uma ao lado da outra, e sua cauda é longa e fina. São cobras de hábitos diurnos, muito ágeis e quando atacadas fogem.

Em caso de acidentes com cobras deve-se tentar identificar a espécie causadora e aplicar soro na pessoa o mais rápido possível. Deve-se também tentar capturar a cobra, morta ou viva, para identificação correta da espécie e assim utilizar o soro específico, que são: Anticrotálico - Picadas de Cascavéis; Antibotrópico - Picadas de Urutus e Jararacas; Antielapídico - Picadas de Corais; Antilaquético - Picadas de Surucucu e por fim o “Polivalente”, usado quando não se conhece a cobra causadora do acidente.

Acidentes com cobras não são raros e a melhor providência é o socorro rápido através do soro antiofídico. Remédios extraídos de plantas ou tratamentos caseiros não são indicados e podem vir a trazer complicações. A medida mais recomendável é o repouso da pessoa, até conseguir o socorro médico, pois como o veneno vai para a circulação sangüínea, a agitação pode acelerar a ação do veneno.

Então, antes de sair para pescar ou comprar seus equipamentos, analise qual conjunto é mais indicado para espécie que deseja capturar, sem exagerar nas suas dimensões. Em caso de duvidas, procure sempre optar pela combinação mais leve. Fazendo assim você ganha em emoção e ainda economiza na compra.